domingo, 12 de agosto de 2012

DIA DOS PAIS

( Ghiaroni) Meu pai está tão velhinho, tem a mão branca e comprida, parecendo a sua vida, longa vida que se esvai. E eu o lembro quando moço de uma atlética altivez. Ah! Tinha força por três! Você se lembra, papai? Menino, ouvia dizer que você era um gigante. Eu ficava radiante e também me agigantava. Porque toda madrugada, eu quentinho do agasalho, ao sair para o trabalho o gigante me beijava. Sua grande mão de ferro parecia leve, leve naquela carícia breve que da memória não sai. Depois… um beijo em mamãe e o meu gigante partia. E a casa toda tremia com os passos de papai. Mas agora o seu retrato muito moço, muito antigo, se parece mais comigo do que mesmo com você. Você já lembra vovô e, à medida que envelhece, papai, você se parece com mamãe, não sei por quê. Você se lembra, papai? Quando mamãe, de repente, caiu de cama, doente, era o pai quem cozinhava. Tão grande e desajeitado a varrer… Quando eu o via de avental, papai, eu ria; eu ria e mamãe chorava. Eu quis deixar o ginásio para ganhar ordenado, ajudar meu pai cansado, mas tal não aconteceu. Papai disse estas palavras: Sou um operário obscuro, mas você terá futuro, será melhor do que eu. Eu? Melhor que este velhinho a quem devo o pão e o estudo? Que é pobre porque deu tudo à Família, à Pátria, à Fé? Meu pai, com todo o diploma, com toda a universidade, quisera eu ser a metade daquilo que você é. E quero que você saiba que, entre amigos, conversando, meu assunto vai girando e no seu nome recai. Da sua força, coragem, bondade eu conto uma história. Todos vêem que a minha glória é ser filho de meu pai. “Um dia eu fui tomar banho no rio que estava cheio. Quando a correnteza veio, vi a morte aparecer. Papai saltou dentro d’água nadando mais do que um peixe, salvou-me e disse:_ Não deixe! Não deixe mamãe saber!”. Assim foi meu pai, o forte que respeitava a fraqueza. Nunca humilhou a pobreza, nunca a riqueza o humilhou. Estava bem com os homens e com Deus estava bem. Nunca fez mal a ninguém e o que sofreu perdoou. Perdoa então se lhe falo Daquilo que não se esquece. E a minha voz estremece e há uma lágrima que cai. Hoje sou eu o gigante e você é pequenino. Hoje sou eu que me inclino. Papai… a bênção, papai

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