sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Recordar é viver: o que Valério disse e o que faltou para processar também Lula

Marcelo Mafra Com a finalização dos procedimentos de julgamento da Ação Penal 470, o chamado Mensalão, teremos a fase das publicações no Diário de Justiça do STF e, depois, alguns recursos apresentados pelos réus através de seus milionários e caríssimos advogados. Diante das penalidades, que apontam para a obrigatoriedade de prisão em regime fechado, indicando muitos anos de cadeia para os principais personagens, dentre eles o publicitário Marcos Valério, vale recordar o que já foi divulgado pela mídia como sendo revelações que ele teria feito. Uma amostra disso referia-se às afirmações, que seriam de Marcos Valério, dizendo: “o caixa real do mensalão era o triplo do que foi descoberto pela Polícia Federal, com dinheiro oriundo também de outras empresas para conseguirem obter facilidades junto ao governo”; “Lula se empenhava pessoalmente na coleta de dinheiro para essa engrenagem clandestina”; “muitos empresários se reuniam com o presidente Lula, combinavam a contribuição e, em seguida, despejavam dinheiro no cofre secreto petista, sendo que o controle dessa contabilidade cabia ao então tesoureiro do PT, Delúbio Soares, que ajudava na administração da captação, e definia os nomes dos políticos que deveriam receber os pagamentos determinados pela cúpula do PT, com o aval do então ministro da Casa Civil, José Dirceu”. ### COM LULA Também ele teria dito ter se encontrado várias vezes com o então presidente, e que, ao tratar desse esquema, quando estava com José Dirceu, cujo gabinete ficava no 4º andar do Palácio do Planalto, bastava descerem a escada e chegavam rapidamente até o Lula. Para não revelar todo o esquema, teria recebido garantias de proteção, numa combinação de versões sobre o que dizer, realizada com Delúbio Soares e José Dirceu. Porém, parece que a estratégia não deu certo. A tentativa de deixar de fora uma espécie de “sujeito oculto”, alguém com poderes no maior cargo do Poder Executivo Federal e que pudesse agir para protegê-los, não adiantou. Na época das denúncias, Lula convocou rede nacional de Rádio e TV para dizer que tinha sido traído, e pediu desculpas ao povo brasileiro pelo que tinha acontecido, referindo-se ao escândalo do chamado Mensalão. Lula precisava aparecer como um ingênuo, alguém que não sabia de nada do que estavam fazendo e tramando, à época, em salas do próprio Palácio do Planalto.

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