Transcrição na íntegra de entrevista dada por Daniel Lamego, ao SURF.
Esta Banda merece um lugar de destaque no nosso cenário musical.
Lethal Dose - Viciados em Música Rock
Uma
das bandas mais coesas e promissoras da região, o combo Lethal Dose,
liderado pelo guitarrista Daniel Lamego vem construindo um legado
substancioso de admiradores. Faço parte desse grupo de pessoas e não
poderia deixar de abordá-los aqui no Surf. Vamos saber melhor do que se
trata pelas palavras do Daniel!
Porão - Se eu
tivesse chegado atrasado diria que a Lethal Dose, é uma banda
de stoner! Bem, tive a oportunidade de
assisti-los no Macaé Sobre Duas Rodas de 2012 e achei que se trata de um puta
hard rockão básico e sem firulas! Poderia definir ou não o som de sua banda?
Daniel Lamego - Bom Porão, nós não vemos muita
necessidade em dar um rótulo para nosso som, ainda que saibamos que as pessoas
"precisem" de um rótulo para tomar como referência, fazer associações
e tudo o mais. O que acontece é que o Lethal Dose é mais claramente um híbrido,
uma mistura de gêneros do rock pesado. Em algumas músicas você percebe mais
claramente a presença de um estilo do que outros, porém basicamente é uma
mistura de três gêneros, que são: Heavy Metal, Hard Rock e Thrash Metal. Esses
três estilos são nossa fonte de inspiração para compor as músicas da Lethal.
Porão - Qual a formação atual? Tudo gira em
torno das suas ideias ou a banda é um grupo de fato?
Daniel Lamego - Bom, na banda temos o Jean Oliveira na
bateria, um cara que está trabalhando comigo há alguns anos, é uma pessoa muito
fácil de se lidar e responsável por estarmos na ativa até hoje. Temos uma ótima
relação e amizade. No baixo temos o Bernardo Blumrich, um cara talentoso que
além de tocar bem, canta, ajuda muito nas composições e arranjos e tem uma
visão artística geral impressionante. Durante as gravações do EP ele, além de
tirar de letra a sua parte, me ajudou bastante na gravação dos vocais. Na
guitarra temos o Arthur Farias, um ex-aluno meu de guitarra que parou de fazer
aulas , sumiu um tempo e reapareceu tocando com muita pegada e
personalidade. Daí foi só questão de tempo para eu e Jean fazermos o convite.
Confio tranquilamente as guitarras ao Arthur que toca há 3 anos apenas e já
arrebenta, sei que ele vai muito longe. E eu sou viciado em tocar guitarra há
bastante tempo, é algo que move a minha vida desde garoto e pretendo morrer em
cima da guitarra. Eu também canto nessa banda. Sempre cantei desde que
comecei a tocar violão, porém cantava pra dentro e bem baixinho. Devido a
escassez de vocalistas com o perfil que queríamos para o Lethal Dose, decidi
começar a cantar e acabou funcionando. Mas cantar e tocar ainda é um desafio
grande pra mim e a cada show percebo que tenho muito que aprender.
Com
relação às composições, geralmente
chego com o esqueleto da música, mostro aos caras e então começamos a
trabalhar
em cima da composição. Vamos modificando coisas ao longo dos ensaios e
cada um
vai inserindo elementos do seu instrumento até que chegamos a uma versão
definitiva. Eu escrevo as letras com base em experiências pessoais,
filmes que
vejo, livros que leio, sociedade, análise comportamental, religião,
relacionamentos doentios, violência urbana, sexo, drogas & rock n'
roll.
Enfim, pra resumir, isso é uma das coisas que mais gosto no Lethal :
podemos falar do que quisermos e da maneira que quisermos. Temos total
liberdade para compor.
Porão - Em conversa inusitada que tivemos recentemente você me disse que Slash do início do Guns & Roses foi sua maior influência. Eu curto muito Black Sabbath e acho que você tem cara de "sabbathmaníaco" também!
Daniel Lamego - Então cara, o GNR foi a minha porta de
entrada pro gênero do rock e tenho um grande sentimento pelo que essa banda foi
um dia. O Slash foi meu primeiro "professor de guitarra". Lembro de
ter vendido meu playstation na época para comprar minha primeira guitarra.
Havia ganho o Apetitte for Destruction usado de um primo meu e aquele disco
ficou enraizado na minha musicalidade até hoje. Foram esses riffs e solos que
me fizeram querer ter uma banda. Lembro que chegava da escola e nem tirava o
uniforme, ia direto pra guitarra e tentava tirar aqueles solos de Night Rain até
a última maldita nota. Foi aí que tudo começou. E o Slash? O que dizer? É uma
espécie de guitarrista em extinção. Um guitarrista com essa pegada venenosa de
blues, cheia de malícia, um guitarrista clássico e ótimo compositor. Se tenho
algum feeling hoje é culpa desse cara. Recomendo que ouçam os dois
trabalhos dele no Slash's Snakepit.
Com relação ao Sabbath, as pessoas geralmente
pensam que eu sou um grande fã da banda e tudo mais, mas na verdade posso dizer
que sou mais um admirador e reconheço a enorme importância deles para a música
que faço. Eu ,na verdade, gosto mais da fase do Dio, o Heaven and Hell é um dos
melhores álbuns de heavy metal que já ouvi. Sou sou um grande admirador em
particular do Tony Iommy, que trouxe à tona toda aquela concepção de harmonia,
riffs e solos que deram origem ao Metal. O Ozzy tem todo o carisma e estrela,
aquela voz doentia e marcante, porém o melhor vocalista que já esteve no
Sabbath na minha opinião é o Dio, que a propósito é uma grande influência no
vocal para mim. Da formação principal eu curto muito o álbum "Black
Sabbath".
Porão - Seu inglês quando cantado é perfeito! Já
morou lá fora? Como veio parar aqui cara? Você parece aqueles bangers mais
tradicionais com essa cabeleira !!
Daniel Lamego - Obrigado por dizer que meu
inglês é perfeito, muita bondade sua! (rs). Mas agora falando sério,
nunca morei em outro lugar que não seja Barra de São João desde os meus dois
anos de idade. Minha família é do Méier e minha mãe é professora de inglês.
Entretanto eu nunca fui um bom aluno de inglês e minha mãe não conseguiu me
ensinar muita coisa, exceto a pronúncia. Nisso ela me chamou muito a atenção.
Então eu sempre falava "pleichtêichon" na frente dos amigos mas eu
sabia que a pronúncia CORRETA era "PLÂISTAISHAN". Inclusive brinco
com ela por isso até hoje.
E cara, essa coisa do visual é interessante: as pessoas olham pra mim e gostam de dar palpites sobre o meu estilo. Por
exemplo, quando chegamos no estúdio do nosso amigo Davi Baeta pela primeira vez
para trocar uma ideia sobre gravação e tudo mais, lembro dele ter dito: "E
aí? Pelo visto vai rolar um Death Metal brutal aí hein?". Nós nos olhamos
e rimos.
Porão - Agora abre o jogo: Zack Wylde com Ozzy
e seu Black Label Society também são influências particulares suas não?
Daniel Lamego - Zakk Wylde sem dúvida é uma
grande influência na guitarra, assim como Dimebag Darrell, Marty Friedman,
Slash, Malmsteen. Porém a carreira do Zakk, na minha opinião, teve altíssimos
picos de inspiração e depois grandes quedas em relação à musicalidade. O No
Rest For The Wicked e o No More Tears são obras que me influenciam muito até
hoje para compor no Lethal Dose. O Pride and Glory é um projeto
excepcionalmente foda e inspirador. Só acho que alguns álbuns do BLS tem
algumas faixas cheias de riffs pesados e vazios e solos improvisados demais,
meio repetitivos. Tem muita coisa boa no BLS de fato, faixas como Stillborn,
Rust, Suicide Messiah. Definitivamente o trabalho dele no Ozzy foi um pouco
mais relevante para mim do que no BLS, porém ambos tem minha atenção.
Porão - Dá para viver 100% de música por aqui
na região? Você toca em bastantes eventos (não me refiro a LD) né?
Daniel Lamego - Aprenda a tocar axé, pagode,
forró e samba se quiser viver de música aqui. Agora, para viver tocando rock n'
roll e apenas isso dá pra viver sim se tiver disposição e competência para
dar aulas, tocar na noite, realizar workshops, atuar em projetos um pouco mais
comerciais. E ainda assim não se pode ter a ilusão de que vá se ganhar "rios" de
dinheiro. Mas é aquilo, cada um escolhe seu caminho conforme suas necessidades
e ambições. Pra algumas pessoas, ter um carrão caro é um objetivo de vida. Pra
outras, apenas fazer o que se gosta de verdade recebendo de volta um retorno
financeiro justo.
Porão – Em sua opinião existe uma cena rocker
por aqui? Quem ou quais artistas você destacaria?
Daniel Lamego - Sem dúvidas existe uma cena aqui nesse
eixo Cabo Frio/Campos que está crescendo e se unificando cada vez mais.
Destaco algumas bandas da região como Cervical, Vingador, Left Hand,
Incarnum, Persecuter entre outras bandas de qualidade que estão aparecendo
agora como o Hemeride e a ótima Ritual de Nova Friburgo. Acho que essa região
ainda vai exportar muita coisa boa.
Porão - O que já há de oficial do LD para as
pessoas conhecerem ?
Daniel Lamego - No momento estamos esperando o
nosso EP The Clan of Lethal Skulls sair da mixagem/masterização para podermos
estar dando início à uma nova fase da banda através da divulgação do disco.
Porão – Qual a sua discoteca básica? Cita
alguns!
Daniel Lamego - Olha cara, dentro do Rock N' Roll escuto tanta
coisa. Vou citar aqui os álbuns que mais me influenciaram:
Kill' em All - Metallica;
Cowboys From Hell - Pantera;
Rust in Peace - Megadeth;
Powerslave - Iron Maiden;
Painkiller - Judas Priest;
Arise - Sepultura;
Facelift - Alice in Chains;
The Last in Line - Dio;
Heaven and Hell - Black Sabbath;
Stormbringer - Deep Purple;
Led Zeppelin - Led Zeppelin IV;
Inside The Electric Circus - W.A.S.P;
Balls to Picasso - Bruce Dickinson;
Appettite For Destruction - Guns N' Roses;
Slave to The Grind - Skid Row;
Better Than Raw - Helloween;
Ritual - Shaaman;
On Fire - Spiritual Beggars;
The Blessed Hellride - Black Label Society;
No Rest For the Wicked - Ozzy Osbourne;
Ain't Life Grand - Slash's Snakepit;
Magnum Opus - Yngwie Malmsteen;
Passion and Warefare - Steve Vai.
Porão - Quais os planos com a música em sua
vida? Acredito que terá de sair daqui não?
Daniel Lamego - Sinceramente não quero sair
daqui, mas se for preciso eu o farei. Gosto muito de Barra de São João, é o
lugar onde pretendo morar, porém não hesitaria se tivesse de sair daqui para
poder colocar meu projeto com o Lethal Dose pra frente. Eu luto com as armas
que eu tenho, estou sempre fechando shows para meus projetos paralelos,
continuo dando aulas para cada vez mais pessoas que me procuram realmente
interessadas em aprender guitarra com seriedade. E espero continuar a viver de
música e realmente acredito que vou conseguir fazer isso com cada vez mais
conforto.
Porão - Bem, o espaço é seu: aproveita para
divulgar shows, links do LD, links de bandas de que gosta e não foram
mencionadas, mandar um recado para alguém, fala da importância da música em sua
vida, faz uma declaração de amor, enfim... seu:
Daniel Lamego - Bom cara, obrigado pelo convite para essa entrevista e parabéns pela iniciativa que é muito bacana. Queria dizer que em breve estaremos lançando o EP e com ele estarão disponíveis adesivos,camisas, bonés, canecas, chaveiros, cuecas, meias e lentes de contato da banda.(depois de camisas é tudo mentira).
Queria dizer um muito obrigado a quem apoia o
Lethal Dose de verdade, a você
que tem o carinho pela banda, sempre pergunta pelos shows, pergunta
pelo disco, canta as músicas nos shows, é muito bom saber que somos algo
relevante na cena.



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