O sistema legal brasileiro é uma “monstruosidade” e não há no mundo
Justiça tão confusa quanto a do Brasil. A avaliação, noticiada pelo
portal UOL, é do presidente do Supremo Tribunal Federal e do
Conselho Nacional de Justiça, ministro Joaquim Barbosa, durante palestra
do Fórum Exame, voltado para empresários, em São Paulo.
Se no STF Barbosa chefia a corte responsável por zelar pelo
cumprimento da Constituição, no CNJ ele comanda o órgão criado em 2004
para, justamente, melhorar o funcionamento Judiciário. Nas palavras da
própria corte, sua missão é “contribuir para que a prestação
jurisdicional seja realizada com moralidade, eficiência e efetividade em
benefício da sociedade”.
Aos empresários, Barbosa disse a morosidade da Justiça causa “graves
entraves” à economia. Para ele, esses entraves são “expressões vivas de
um bacharelismo decadente, palavroso, mas vazio, e, sobretudo,
descompromissado com a eficiência”.
Para o presidente do STF e CNJ, o Brasil adotou o aumento da máquina
judiciária para tentar resolver a lentidão dos processos. “A solução
fácil de aumento da máquina judiciária é apenas momentaneamente
paliativa e não resolve a origem do problema, que está na vetustez
barroca da nossa organização de todo sistema judiciário.”
Segundo ele, uma das soluções às mazelas do Judiciário é priorizar a
1ª instância, além de “reduzir o número excessivo de recursos que
atualmente permite que se passe uma década sem que haja solução
definitiva do litígio”.
Barbosa, que foi nomeado ministro em 2003 pelo presidente Luiz Inácio
Lula da Silva, criticou também o modelo de indicação de magistrados.
“Um dos fenômenos — que eu chamo de mais pernicioso — é a indicação
política. Não há mecanismos que criem automatismo, que, passado um
determinado tempo, um juiz seja promovido sem que tenha que sair com o
pires na mão”.
Barbosa afirmou que juizes politicamente engajados em alguma coisa
são impedidos moralmente de cumprir sua missão, assim como aqueles que
são “medrosos”.
O ministro evitou comentar a declaração do ex-presidente Lula ao jornal Correio Braziliense,
em que afirmou que, hoje, teria mais critérios ao indicar um ministro
para o STF. “Não tenho nada a dizer. Ele foi presidente da República, eu
não sou presidente da República, não tenho nenhum papel na nomeação de
ministros para o Supremo e nunca procurei exercer influência sobre esse
papel, que não me cabe”, afirmou no evento.
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG - Diante desse tipo de
declaração, feita por quem tem justamente a função de agilizar o
Judiciário, fica a impressão de que Barbosa está ou não está em campanha
eleitoral? (C.N)
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