segunda-feira, 2 de junho de 2014



Tempo
Wanderley Farias

Ah! Tempo...
Tempo que passa,
 que não morre.
Tempo que corre,
que se transforma.
Tempo que até a vida
faz se ver de outra forma.
Ah! Tempo...
Tempo da infância,
da brincadeira de roda...
Tempo em que nada incomoda,
nem mesmo o passar do próprio tempo.
Tempo da bola de gude, tempo em que pude
viver com ânsia a própria vida;
fazendo-a vivida, sem se preocupar,
todo o tempo, com o passar ligeiro
do melhor tempo.
Tempo em que só se almeja,
O que a vista alcança.
Ah! Tempo...
Tempo da juventude, tempo do amor,
da ilusão, da esperança vã,
de futuro, de calor,
da vitória sobre a própria vida..
Tempo em que se pretende viver
em outro tempo, querendo que o tempo passe,
para que não haja impasse.
E que o tempo faça chegar logo a vida
para que nesse tempo
seja a mesma vivida,
sem se preocupar, com o próprio tempo.
Ah! Tempo...
Tempo da razão. Tempo maduro.
Quando o futuro
Se aproxima do presente.
Tempo em que amar
é pretender fazer
o próprio tempo.
Mas se chegando, em tempo,
a conclusão inglória,
que ao final o tempo vence,
Pois é impossível
parar o próprio tempo.
Ah! Tempo...
Tempo do branco. Tempo do fim.
Quando um sim,
é resultado do próprio tempo.
Tempo em que se recorda
o tempo perdido.
Quando tudo é medido
em cima do tempo.
Tempo em que se nota
que se passou todo o tempo,
tentando fazer parar
o próprio tempo.
É quando se entende, que se perdeu tempo,
deixando de fazer, tudo a seu tempo,
Esperando chegar
o que já passou,
querendo viver ainda mais tempo,
para fazer, fora de tempo,
o que não fez em seu tempo.
Tempo em que pretende,
ainda, fora de tempo,
ensinar  a viver outro tempo,
na esperança de em qualquer tempo,
aguardar o momento
de vencer o tempo.
E no final, entendendo,
que tudo foi o tempo quem deu
e que se passou muito tempo
tentando parar o tempo.
Mas mesmo assim se viveu,
e, não se sendo imortal
É afinal
Foi o  tempo quem venceu...

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