Carlos Chagas
Chateado, é claro que ele ficou. Mas preocupado, não. Fala-se da
reação do Lula à instauração de inquérito pela Polícia Federal, a pedido
da Procuradoria da República em Brasília, para apurar se houve
envolvimento do ex-presidente no escândalo do mensalão.
A iniciativa deveu-se a declarações do condenado Marcos Valério ao
Procurador Geral da República, Roberto Gurgel, a respeito de haver o
Lula tido participação na arrecadação de recursos para o PT, junto a
empresários portugueses e, mais, de que despesas pessoais dele foram
pagas por recursos arrecadados para distribuição entre deputados.
Começa que o depoimento de um bandido sentenciado a 40 anos de prisão
merece tanta fé quanto as histórias contadas pelo Pinóquio. Acresce que
o ex-presidente já respondeu, por ofício, a dezenas de questões a ele
formuladas durante o processo do mensalão.
Ignora-se como se comportará o titular encarregado da Delegacia de
Crimes Financeiros que funciona na capital federal. O prazo é de trinta
dias, podendo o inquérito encerrar-se em uma semana ou prolongar-se
mais. O Lula se manifestará por carta precatória ou será convocado a vir
a Brasília? O delegado também poderá deslocar-se para São Paulo. Marcos
Valério precisará ser ouvido? Se já tiver ido para a cadeia, será
conduzido até aqui ou tomarão seu depoimento numa cela mineira, atrás
das grades?
Numa palavra, aborrecimento para o primeiro-companheiro, holofotes
para seu detrator. Não é o primeiro caso de constrangimentos impostos a
ex-presidentes da República. Hermes da Fonseca chegou a ser preso, Café
Filho ficou incomunicável em sua residência, Juscelino Kubitschek passou
noites na cadeia, além de responder a processo num quartel do Exército.
Em todos os casos, perseguição política e truculência. O ex-ministro da
Justiça, Márcio Thomaz Bastos, estará elaborando o melhor roteiro para
poupar o Lula, mas imaginá-lo réu igual aos 25 condenados, jamais. O
Supremo Tribunal Federal já decidiu, faz tempo, não incluí-lo no rol dos
mensaleiros.
OS MOSQUETEIROS DO SENADO
No Senado, os três mosqueteiros também são quatro: Pedro Simon,
Roberto Requião, Jarbas Vasconcelos e Luiz Henrique. E o cardeal
Richelieu? Claro que José Sarney. Luiz XIII pode ser Renan Calheiros. Já
Milady, bem, quem quiser que faça sua escolha…
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