
Tereza Cruvinel (Correio Braziliense)
Perplexidade, constrangimento, desconforto. Este foi o sentimento
deixado nos outros dez ministros do STF pelo incidente de quinta-feira
passada, em que o presidente Joaquim Barbosa acusou o ministro
Lewandowski de estar fazendo chicana ao apresentar seu voto, garante um
deles.
O que vai acontecer hoje ninguém sabe ao certo, mas é forte a
expectativa de que Lewandowski recorra ao plenário para garantir seu
direito à livre apresentação do voto, desqualificado por Joaquim na
semana passada como chicana. Se isso ocorrer, ficarão todos numa saia
justa. Nunca, nos tempos recentes, o plenário foi chamado a
solidarizar-se com um dos pares contra o presidente.
Já houve o contrário, em 2009: durante uma divergência entre Joaquim e
o então presidente da corte, ministro Gilmar Mendes. Irritado, Joaquim
atacou: “Vossa Excelência quando se dirige a mim não está falando com os
seus capangas do Mato Grosso”. Mendes se alterou, pediu respeito
e encerrou a sessão. Os demais ministros, neste incidente, emitiram nota dizendo que o presidente continuava desfrutando do respeito de todos. Uma forma muito branda de censura e muito oblíqua de solidariedade. Mas agora, diz um dos ministros, estarão fazendo o contrário se atenderam ao eventual pedido de respaldo de Lewandoski. Estarão isolando o presidente.
e encerrou a sessão. Os demais ministros, neste incidente, emitiram nota dizendo que o presidente continuava desfrutando do respeito de todos. Uma forma muito branda de censura e muito oblíqua de solidariedade. Mas agora, diz um dos ministros, estarão fazendo o contrário se atenderam ao eventual pedido de respaldo de Lewandoski. Estarão isolando o presidente.
NO SALÃO DO CAFÉ…
A perplexidade de alguns ministros aumentou no final de semana ao
lerem, na revista Veja, o diálogo que os dois brigões teriam tido no
salão de café, após o abrupto encerramento da sessão . Alguns saíram,
outros ficaram no plenário. Segundo a revista, eles trocaram desaforos e
terminaram com Joaquim dizendo que Lewandowski não iria ficar lendo
recortes de jornais na sessão para atrasar os trabalhos. “ Está para
nascer homem que mande no que devo fazer. O senhor acha que tenho voto
de moleque?”, teria dito o revisor. “Acho sim, senhor”, teria dito
Joaquim, levando o outro a arrematar que, se não fosse pelo respeito à
Casa, “tomaria outra atitude”. Ou seja, iria às vias de fato.
O Supremo não é o Congresso, onde a turma do deixa disso entra em
campo sempre que o fogo sobe. Lá, como diz a lenda, cada ministro é uma
ilha. Por isso o papel do presidente é tão importante, devendo ele ser,
como diz e repete o ministro Marco Aurélio, “o algodão entre os cristais
delicados para evitar trincaduras”. Um papel que não combina com
Joaquim.
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