quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Excelências perplexas no Supremo



Tereza Cruvinel (Correio Braziliense)

Perplexidade, constrangimento, desconforto. Este foi o sentimento deixado nos outros dez ministros do STF pelo incidente de quinta-feira passada, em que o presidente Joaquim Barbosa acusou o ministro Lewandowski de estar fazendo chicana ao apresentar seu voto, garante um deles.
O que vai acontecer hoje ninguém sabe ao certo, mas é forte a expectativa de que Lewandowski recorra ao plenário para garantir seu direito à livre apresentação do voto, desqualificado por Joaquim na semana passada como chicana. Se isso ocorrer, ficarão todos numa saia justa. Nunca, nos tempos recentes, o plenário foi chamado a solidarizar-se com um dos pares contra o presidente.
Já houve o contrário, em 2009: durante uma divergência entre Joaquim e o então presidente da corte, ministro Gilmar Mendes. Irritado, Joaquim atacou: “Vossa Excelência quando se dirige a mim não está falando com os seus capangas do Mato Grosso”. Mendes se alterou, pediu respeito
e encerrou a sessão. Os demais ministros, neste incidente, emitiram nota dizendo que o presidente continuava desfrutando do respeito de todos. Uma forma muito branda de censura e muito oblíqua de solidariedade. Mas agora, diz um dos ministros, estarão fazendo o contrário se atenderam ao eventual pedido de respaldo de Lewandoski. Estarão isolando o presidente.

NO SALÃO DO CAFÉ…

A perplexidade de alguns ministros aumentou no final de semana ao lerem, na revista Veja, o diálogo que os dois brigões teriam tido no salão de café, após o abrupto encerramento da sessão . Alguns saíram, outros ficaram no plenário. Segundo a revista, eles trocaram desaforos e terminaram com Joaquim dizendo que Lewandowski não iria ficar lendo recortes de jornais na sessão para atrasar os trabalhos. “ Está para nascer homem que mande no que devo fazer. O senhor acha que tenho voto de moleque?”, teria dito o revisor. “Acho sim, senhor”, teria dito Joaquim, levando o outro a arrematar que, se não fosse pelo respeito à Casa, “tomaria outra atitude”. Ou seja, iria às vias de fato.
O Supremo não é o Congresso, onde a turma do deixa disso entra em campo sempre que o fogo sobe. Lá, como diz a lenda, cada ministro é uma ilha. Por isso o papel do presidente é tão importante, devendo ele ser, como diz e repete o ministro Marco Aurélio, “o algodão entre os cristais delicados para evitar trincaduras”. Um papel que não combina com Joaquim.

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